domingo, 11 de abril de 2010

Vontade, muita vontade. Mas nao de falar o que quero, sabendo que alguns vao saber o que é.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Saudade


To aqui escutando Tim Maia e lembrei de vc. senti uma saudade estranha. tao igual, mas tao diferente das outras saudades. saudade de tudo que vc me ensinou. a olhar as horas num rologio analogico com menos de 5 anos. A ler e escrever, a fazer as contas de matemática. Dos livros que vc me incentivou a ler. Sinto saudade do 1 real que vc me dava depois de eu tanto pedir pra levar pra escola, e que and veio a nota de 2 reais vc falou: "agora vc so vai me pedir 2 reais pra levar pra comprar seu lanche, to ferrado!" De quando a gente ia no mercado e vc me fazia prometer que nao ia te pedir balinha, mas eu sempre pedia e vc comprava. De como me segurava pelo pescoço pra atravessar a rua e eu ficava gritando por isso. Deu saudade das brigas, das besteiras que a gente falava. Do seu cherinho ruim quando voltava da pesca com dias sem tomar um banho. Dos peixes que vc trazia mostrando que era o melhor pescador do mundo! Saudade de vc corrigir sempre que eu falava alguma coisa errada. De todos os dias que vc ia comigo cedinho me esperar pegar o onibus pro trabalho, depois de te acordar, mesmo vc afirmando que ja estava acordado (eu fingia que acreditava que vc ainda era durao e nao dormia ate mais tarde se nao te chamasse). Saudade tb de quando a mae me falava que vc sempre a mandava tarde da noite me esperar voltar da jornada de trabalho e escola (a noite vc morria de preguiça, mas mesmo assim nao queria que eu andasse meio quarteirao sozinha, rs). So nao sinto saudade dos longos 2 anos que ficamos sem nos falar, que eu te ignorava e vc tentava sempre puxar conversa, coisas de adolescente, que nao tenho orgulho algum. Mas sinto muita saudade tb quando voltou da viagem e que vendia livros nas escolas, contanto que tinha parado de beber e tinha um livro de presente pra mim. Foi assim que voltamos a conversar, lembra? Aí vc teve problema de coração pela primeira vez e tomamos um baita susto! foi um ano maravilhoso né. Aproveitamos, ficamos amigos. Eu chegava a noite da rua e ia pro seu quarto conversar um pouquinho. Assistia as corridas no domingo de manha no seu quarto. Ate que chegou a copa do mundo de 2006. Lembro que assitimos Mexico e Irã no dia 11/06/06 e vc nao tava nada bem. No dia seguinte foi pro hospital e a casa ficou vazia sem vc. A briga era pra ver quem ia te acompanhar, todo mundo queria ficar um pouquinho com vc. Teno muita saudade do ultimo dia que te vi. 18/06/06, que eu perguntei: "pai, eu te amo, vc me ama?" e vc, que nao conseguia mais falar balançou devagarinho a cabeça confirmando que me amava, e eu te dei o ultimo beijo, um selinho.
Eu lembro que eu fui forte na madrugada seguinte, quando o telefone tocou as 3 da manha dizendo que vc provavelmente nao ficaria mais com a gente. Que tinha me chamado um pouco antes disso. Eu segurei as pontas, pq era o que vc teria feito no meu lugar.  Eu segurei as pontas até hj, 3 anos depois. E agora eu nao aguento mais segurar pai. Choro compulsivamente desde que comecei q escrever sobre vc e isso ja faz 1 hr.
Queria poder dizer tudo isso pessoalmente pra vc, mas ainda nao é hr. A hr das nossas almas se reencontrarem nao chegou. Preciso viver, construir minha familia baseada no que eu vivi com vc. E queria muito que vc pudesse conhecer meu Andre. Um homem bom, ajuizado, inteligente, meio bobo (como vc diria assim que o conhecesse), mas que acima de tudo me ama, respeita e cuida de mim. Queria tb que vc pudesse ver seus netos que ainda vao nascer. Eles adorariam pescar com o vô. Ficar juntinhos dias sem tomar banho, loucos quando o vô perguntasse se iriam querer pipoca, e eles iam ficar quietinhos quando a pipoca estivesse super salgada, como vc sempre fazia. Queria vc na minha casa, deitado no meu sofá, comendo a minha comida, dizendo que é tao boa quanto a da mamita.

Queria vc aqui.

Sou quem eu sou hj, por sua causa.
Te amo, de todo meu coração.

Imagem: arquivo pessoal, meu pai Daniel, no dia das maes em 2006, 1 mes antes de fazer a transição desse, pra um lugar melhor.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pode doer esperar voce...

Na vida, nós sempre queremos o controle de tudo.

Controlamos o horario de dormir, de acordar, de namorar, de passear. Controlamos o cachorro, o carro, o celular e até o companheiro. Aí a gente passa a controlar a cor do cabelo, da unha, do corpo, da casa.

Fazemos o cronograma da vida e nada sai do planejado. Começamos a evitar uma nova vida e assim é por anos. Até que chega o dia que da um clique e a gente pensa: "É hj, vou parar o remedio e engravido."

Quem dera fosse assim. É nessa hora que percebemos que nao temos tanto controle assim. Nosso corpo nao tem botao de liga e desliga pra momento de engravidar. Acabamos frustradas. Como pode, sempre tivemos tanto controle e de repente nao conseguimos engravidar no primeiro dia sem ACC??
O tombo é grande minha gente. Eu que o diga. Tenho 24 anos e tomava ACC desde os 13, "pra controlar a menstruação" segundo o primeiro gineco que me atendeu. depois de 7 anos em comprimido passei pra injeção, "pq é mais tranquilo e nao faz mal nenhum" (palavras da minha ultima gineco em goiania). Dai com esses 3 anos de injeção, eu nao tinha ciclos, nao sabia mais o que era menstruar, nem colicas ou TPM.
Como eu queria muito ter um filho, achei q era so parar de tomar e no outro mes pimba engravidaria.

Quem dera!

Parei em maio de 2009 e so voltei a ter um ciclo em janeiro de 2010. Foram os 8 meses mais angustiantes da minha vida! E agora, depois de 3 meses eu ainda fico angustiada. Espero a gravidez, desejo, namoro e ainda nao aconteceu.
Sei que preciso aprender a respeitar meu corpo, ele tem o ciclo dele, o jeito de trabalhar e vai fazer isso a meu favor quando for a hr. Mas tb nao posso deixar de ter a consciencia de que a gravidez pode nunca acontecer. Pra isso temos q ter sempre um plano b, c d, em mente.

Calma, mente ocupada com outras coisas e paciencia sao os maiores aliados nessa espera. É o que tenho aprendido!

Enquanto isso eu preparo meu corpo, alma e mente pra chegada do meu tão esperado bebê. Uma pessoa que me fara renascer como mulher, mae, esposa, companheira. Num parto lindo, respeitoso e digno, em casa.

imagem: www.gettyimages.com.br

quarta-feira, 31 de março de 2010

sobre vacina...

Vale mto a pena ler essa postagem da Pérola Boudakian!!

Fica a dica!

Bebes ecologicos


Recebi essa dica de fraldas reutilizaveis num grupo que faço parte.

Sou a favor ao uso de fraldas de longa duração, elas agridem bem menos o meio ambiente.

Abaixo copio o que está escrito no Blog Bebes Ecologicos


"As Fraldas Reutilizáveis Bebês Ecológicos, têm um tempo de vida útil para 2 crianças e a sua produção não implica o abate massivo de árvores. A suavidade e o conforto que proporciona o algodão está bem longe do das fraldas de plástico, além de trazer benefícios para a saúde do bebê, livrando do contato com a química que contém nas fraldas descartáveis.

Milhões de árvores são todos os anos abatidas para serem utilizadas na produção das Fraldas Descartáveis, já para não falar do petróleo que também entra na sua composição.

Como não há maneira de reutilizar as Fraldas Descartáveis, nem de as reciclar, estas são enviadas diretamente para os aterros sanitários onde demoram mais de 450 anos para se decompor.

As Fraldas Descartáveis são o terceiro maior consumidor de espaço nos aterros.

Financeiramente é imcomparável o valor de 65 Fraldas Reutilizáveis que podem ser utilizadas pelo menos 2 crianças x 5000 fraldas descartáveis.

Você sabia?

Que durante os 2 primeiros anos de vida, um bebê utiliza mais de 5.000 fraldas descartáveis ?

Você sabia, que fraldas descartáveis são feitas de papel (árvores) alvejado e plástico e contém ingredientes como: metais, surfactantes, desinfetantes, fragrâncias, bactericidas, fungicidas,gel absorvente, colas e organocloretos entre outras coisas?"
 
Fica a dica, tomara que sirva pra alguém!
 
Imagem: http://fraldadepano.files.wordpress.com/2009/09/carol-baby.png?w=400&h=300

quinta-feira, 4 de março de 2010

O show da minha vida

Eu ia falar sobre o Show do coldplay com as minhas palavras, mas achei uma materia no Correio Braziliense que diz quase tudo o que eu vivi na noite magica do show do coldplay. Só acrescento a linda quaima de fogos no meio do show e tbm na ultima musica, que tomou atenção de todo mundo enquanto os integrantes do coldplay saíam do palco sem que a maioria percebesse. Foi um momento mágico, que como eu, milhares de pessoas nunca esquecerão!

Ah, eu nao consegui o CD no final da apresentação, realmente a confusão estava demais, e eu precisava mto ir ao banheiro. Uma pena, pq eu queria ter trazido pra casa de lembrança.


"Para aqueles que acharam morna a passagem dos ingleses do Coldplay pelo Rio de Janeiro, no último domingo, na praça da Apoteose, uma constatação: o derradeiro show do grupo, realizado em São Paulo, no Estádio do Morumbi, terça-feira passada, foi uma grande festa. Alegria geral turbinada com o aniversário de 33 anos do líder e vocalista da banda, Chris Martin. Sorte do público que embarcou na emoção que tomou conta do estádio, conferindo uma das apresentações mais tocantes da banda ao vivo. Alegre, simpático e elétrico, o cantor era a felicidade em pessoa.

O aniversariante Chris Martin comandou o espetáculo no Estádio do Morumbi: "Muito brigado, galera"

"É maravilhoso comemorar aniversário com mais de 60 mil brasileiros", disse, visivelmente emocionado, Martin, antes de tocar, sozinho, ao piano, uma versão melancólica de Hardest part, faixa do terceiro álbum do grupo, X; Y. O momento foi registrado quase na metade do show.

Fustigados por incômodo frio e contemplados por uma metálica lua cheia, mais de 65 mil pessoas de todo o país (quase o dobro do público carioca) conferiram a performance dos britânicos. O show teve início por volta das 21h50. Antes, subiram ao palco os brasileiros do Vanguart e a cantora inglesa, de origem paquistanesa, Bat For Lashes.

Após abrir o show com a meiga balada Life in technicolor, seguida por Violet hill - ambas do mais recente trabalho do grupo (Viva la vida), que já vendeu mais de 8 milhões de discos -, os integrantes emendaram uma sequência arrasadora de sucessos com Clocks e seu piano hipnotizante: In my place, cantada em coro pelo público, e a quase épica Yellow, responsável por um dos momentos de catarses do show com duas gigantes bolas amarelas surfando sobre o público. "São Paulo fantástica", agitava o vocalista. "Muito obrigado, galera!", agradecia, constantemente. Outro bom momento foi quando o Chris sussurrou Fix you, um dos grandes hits da banda, e abrindo o microfone ao coro de mais de 60 mil vozes.

Megaestrutura

A terceira volta do Coldplay ao Brasil foi pontuada por megaestrutura que não deve em nada às grandes bandas de sua geração, como os também ingleses do Radiohead e Oasis. Em cena, teatralizando cada gesto, Chris Martin, em vários momentos, lembrou Bono Vox das turnês Zooropa e Pop. Uma enorme tela posicionada ao fundo do palco exibia imagens aleatórias e exageradamente coloridas que dialogavam com o conceito do último disco do grupo, com título inspirado numa das pinturas da artista mexicana Frida Kahlo, e capa do pintor francês Delacroix.

Para envolver ainda mais a plateia, uma chuva de borboletas feitas de papel de seda caiu sobre o público durante faixas como Politik, Swing strawberry e Lovers in japan/Reign of love. O recurso, de uma simplicidade loquaz, dificilmente será apagado da memória de quem presenciou os shows da banda no Brasil.

Outro momento mágico da turnê Viva la vida no Brasil aconteceu na sessão folk do show, pouco antes do fim, quando os quatro integrantes, isolados num minúsculo palco no meio do Morumbi, entoaram, em sessão intimista, Shiver (do primeiro álbum, Parachutes), e as inéditas Spanish rain e Death will never conquer, esta última cantada pelo baterista Will Champion. Simpático, Champion roubou a cena ao cantar "parabéns pra você" em português, ao amigo aniversariante. "Por favor, me ajudem nesta canção", pediu antes. Pedido aceito, mas o som baixo irritou os fãs que estavam na arquibancada do lado esquerdo do palco, e as vaias não perdoaram.

O bis ficou por conta da triste The scientist, talvez uma das canções mais lindas da banda, e uma versão apagadinha de Life in technicolor. Na saída, um princípio de confusão deu trabalho aos policiais durante a distribuição gratuita do CD ao vivo do show Left right left right left right. Quem conseguiu o prêmio, guardará em casa a lembrança inesquecível da passagem do grupo inglês mais popular do momento."

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Drª Melania Amorin comenta no Guia do Bebe


Melania Amorim, em 2009, colaborando com a OMS



Palavras de Melania:

Li com atenção a interessante matéria do Guia do Bebê sobre Parto em Casa. Efetivamente, a recente notícia de que o parto da modelo Gisele Bundchen foi assistido nos Estados Unidos em sua própria residência, dentro da banheira, teve grande repercussão na mídia e despertou grande interesse em diversas mulheres, além de debate por diversas categorias profissionais.

Entretanto, mesmo bem preparada, a matéria peca por apresentar apenas o ponto de vista de uma única obstetra, sem considerar a visão de diversos outros profissionais que podem participar da assistência ao parto e, sobretudo, sem analisar a opinião das mulheres.

Como obstetra, pesquisadora e integrante do Movimento de Humanização do Parto no Brasil, não poderia deixar de contrapor a este ponto de vista, digamos, “oficial”, por refletir a opinião de grande parte dos médicos-obstetras em nosso País, considerações baseadas não em “achismos” ou receios, mas em evidências científicas.

O parto em casa, conquanto seja uma modalidade ainda pouco freqüente no Brasil, representa uma realidade dentro do modelo obstétrico de diversos outros países, como a Holanda, onde 40% dos partos são assistidos em domicílio, dentro do Sistema de Saúde. Mas vários outros países europeus e até os EUA contam com estatísticas confiáveis pertinentes aos partos atendidos em casa, e é impossível falar em RISCOS ou SEGURANÇA sem considerar os resultados dos diversos estudos já publicados sobre o tema.

Em 2005, chamou a atenção a publicação de um interessante estudo analisando os desfechos de partos domiciliares assistidos por parteiras na América do Norte: "Outcomes of planned home births with certified professional midwives: large prospective study in North America"[http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416?ehom]. O estudo incluiu 5418 mulheres. A taxa de transferência para hospital foi de 12%, com uma taxa de cesariana de 8,3% em primíparas e 1,6% em multíparas.

A frequência de intervenções foi muito baixa, correspondendo a 4,7% de analgesia peridural, 2,1% de episiotomias, 1% de fórceps, 0,6% de vácuo-extrações e uma taxa global de 3,7% de cesarianas. A taxa de mortalidade perinatal (intraparto e neonatal) foi de 1,7 por 1.000, semelhante à observada em partos de baixo risco atendidos em ambiente hospitalar. Não houve mortes maternas. O grau de satisfação foi elevado (97% das mães avaliadas se declararam muito satisfeitas). A conclusão deste estudo foi que os partos domiciliares assistidos por parteiras têm os mesmos resultados perinatais que os partos hospitalares de baixo risco, com uma frequência bem mais baixa de intervenções médicas. Entretanto, alguns críticos comentaram que o número de casos envolvidos seria insuficiente para determinar a segurança do parto domiciliar em termos de mortalidade materna e perinatal.

Seguiram-se vários outros estudos, publicados em diversas regiões do mundo, comparando a morbidade e a mortalidade tanto materna como perinatal entre partos domiciliares e hospitalares. A conclusão geral é que o parto domiciliar NÃO envolve mais riscos para mães e seus bebês, e cursa com vantagens diversas, relacionadas sobretudo à expressiva redução de intervenções e procedimentos. Partos assistidos em casa têm menor risco de episiotomia, de analgesia de parto, de uso de fórceps ou vácuo-extrator, de indicação de cesárea e a taxa de transferência hospitalar fica em torno de 12%. Destaca-se ainda o conforto e a satisfação das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu próprio lar.

O estudo mais recente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a morbimortalidade perinatal em uma impressionante coorte de 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco: Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529,688 low-risk planned home and hospital births. [http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0]. Nesse estudo, mais de 300.000 mulheres planejaram dar à luz em casa enquanto pouco mais de 160.000 tinham a intenção de dar à luz em hospital. Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intraparto (0,69% VS. 1,37%), morte neonatal precoce (0,78% vs. 1,27% e admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% VS. 1,16%). O estudo conclui que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo-risco, dese que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.

Parteiras treinadas ou midwives, em diversos países, são aquelas profissionais que cursam em nível superior o curso de Obstetrícia e são treinadas para atender partos de baixo-risco e, ao mesmo tempo, desenvolvem habilidades específicas para identificar os casos de alto-risco, providenciar suporte básico de vida em emergências, tratar potenciais complicações e referenciar ao hospital, quando necessário.

Essas profissionais, como a que atendeu Gisele Bundchen, estão aptas para prestar o atendimento à mãe durante todo o parto, bem como para assistir o bebê imediatamente após o nascimento e nas primeiras 24 horas de vida. Embora não haja necessidade de equipamentos sofisticados ou de UTI à porta da casa da parturiente, o material básico de reanimação neonatal é providenciado pelas parteiras certificadas. Parteiras também podem atender em hospital, de forma independente ou associadas com médicos.

Uma revisão sistemática recente encontra-se disponível na Biblioteca Cochrane com o título de “Midwife-led versus other models of care for childbearing women” [http://www.cochrane.org/reviews/en/ab004667.html]. Esta revisão demonstra que um modelo de cuidado com parteiras associa-se com vários benefícios para mães e bebês, sem efeitos adversos identificáveis. Os principais benefícios são redução de analgesia de parto, menor número de episiotomias e partos instrumentais, maior chance de a mulher ser atendida durante o parto por uma parteira já conhecida, maior sensação de manter o controle durante o trabalho de parto, maior chance de ter um parto vaginal espontâneo e de iniciar o aleitamento materno. A revisão conclui que se deveria oferecer à maioria das mulheres (gestantes de baixo-risco) a opção de ter gravidez e parto assistidos por parteiras.

Em resumo, as evidências científicas disponíveis corroboram a segurança e os efeitos benéficos do parto domiciliar. Apenas criticar e apontar possíveis complicações, sem comprovar as críticas com evidências bem documentadas, publicadas em revistas de forte impacto, não pode ser mais aceito em um momento da história em que os cuidados de saúde devem se respaldar não apenas na opinião do profissional mas, ao contrário, devem se embasar em evidências científicas sólidas. Este é o preceito básico do que se convencionou chamar de “Saúde Baseada em Evidências”, correspondendo à integração da experiência clínica individual com as melhores evidências correntemente disponíveis e com as características e expectativas dos pacientes”. Embora iniciado na Medicina (“Medicina Baseada em Evidências”) esse novo paradigma estende-se a todas as áreas e sub-áreas da Saúde."

Melania Amorim, MD, PhD

Médica formada pela UFPB
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO
Mestre em Saúde Materno-Infantil pelo IMIP
Doutora em Tocoginecologia pela UNICAMP
Pós-doutora em Tocoginecologia pela UNICAMP
Pós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS
Professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFCG
Professora da Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do IMIP
Colaboradora da OMS e revisora da Biblioteca Cochrane

fonte: publicado pela primeira vez em Buena Leche